Conte a sua história em: "Anjinho Dudu" por Elaine Lobão

06/06/2014 19:07

"Olá pessoal, gostaria de compartilhar com vocês minha experiência como mãe de um anjinho.


Infelizmente aqui no Brasil as infelicidades precisam primeiro acontecer, pra que depois seja investigada a causa do ocorrido e tomada as devidas precauções.

Bom, no final do ano de 2005 eu e meu marido decidimos engravidar e depois de um pouco mais de um ano tentando, veio o Dudu.

Foi um momento de imensa alegria de todos nós. Dudu foi um bebê muito desejado e esperado por todos da nossa família, ele foi o primeiro neto da minha sogra e o primeiro neto menino da minha mãe. Felicidade total!!!

Eu trabalhava em vendas em uma metalúrgica, trabalho tranquilo para quem está grávida e havia acabado de terminar a faculdade. Fiz meu pré-natal tudo certinho pelo convênio da empresa e nunca havia fumado e bebia muito pouco socialmente.

Quando completei 25 semana de gestação comecei a sentir umas dores na boca do estômago e elas foram ficando cada vez mais fortes. Ligava para o meu médico e ele pedia pra eu ir até o pronto socorro e todas as suspeitas nos levavam para uma possível gastrite. Consegui uma consulta e fui examinada pelo meu médico e ele me deu uma guia para fazer uma endoscopia. Tarefa muito difícil pois grávida não pode fazer endoscopia, liguei em vários laboratórios e a resposta era sempre "não fazemos endoscopia em gestante".

Muito desesperada e sentindo muita dor de madrugada fomos pra um Hospital da Vila Mariana onde me internaram as pressas com o quadro de pré eclampsia + Help Síndrome. Quando me dei conta tinha uma médica cirurgiã no pé da minha cama (eu estava sozinha, meu marido tinha ido buscar minhas coisas pra internação) e ela me disse que eles iriam interromper minha gestação, que meu exame de sangue estava muito ruim, minhas plaquetas super baixas, um quadro típico para uma hemorragia. Ela disse que eles iriam me colocar na mesa de cirurgia, tirariam o bebê, se eu tivesse hemorragia eles fariam transfusão de sangue, se continuasse eles fariam transfusão de plaquetas, se continuasse eles tirariam meu útero e se continuasse eles não teriam mais o que fazer (lágrimas ... muito difícil pra mim relembrar este momento). 

Naquele momento Deus me deu uma anestesia em meu coração. Minha mãe e minha sogra vieram desesperadas e eu dizia pra elas ficarem calmas.

Fiquei algumas horas fazendo alguns exames, tomei a injeção para amadurecer o pulmão do bebê, esperando a chegada das plaquetas e também o efeito de um remédio que aumentava as plaquetas do meu organismo. A dúvida da equipe médica era que anestesia eles me dariam. Se me dessem a rack seria melhor pro bebê, mas eu poderia não suportar ... se dessem a geral seria ruim pro bebê. Daí vem aquela famosa frase "a mãe tem prioridade". Mas que prioridade era essa sendo que eu também poderia morrer???

Enfim, fomos pra anestesia geral. Por causa da pressão alta o anestesista não conseguia pegar minhas veias, ele tremia ... me lembro que depois de várias tentativas, ele veio pegar minha veia jugular e eu disse pra ele "até daqui a pouco" com um sorrisinho tranquilo.

Horas depois acordei, com meu marido dando pulos de alegria, dizendo que o Dudu era liiindoooo e que tinha corrido tudo bem, pelo menos pra mim. O bebê havia nascido com apgar 0 e depois 7. Depois de 24hs consegui ir até a UTI neo natal visitá-lo e saí em prantos ... eu senti que meu bebê não estava mais lá, não consigo nem descrever o quadro dele cheio daquelas parafernálias de UTI. Não tive coragem de pedir pra Deus que deixasse ele ficar, diante de tanto sofrimento.

Dudu nasceu às 11:20hs do dia 28/08/2006 e nos deixou às 5:45hs do dia 30/08/2006.

Depois de todo sofrimento, voltei ao meu médico, contei o ocorrido e daí me disse que eles não são médicos que fazem pré-natal de alto risco. Como assim?? Fiquei indignada sem saber o que eu tive e com um monte de dúvidas em minha cabeça.

Mas minha vontade de ser mãe era infinitamente maior ao meu medo de morrer.

Então engravidei novamente, fiz pré-natal de alto risco e em cada exame eu despejava um barril de perguntas pra minha médica.

Descobri que tenho FAN positivo, uma deficiência na proteína C que predispõe o paciente a ter trombose (entupimento das veias), onde as chances são muito maiores em gestantes.

Tomei injeções de anticoagulante todos os dias enquanto estive grávida e no puerpério. Hoje tenho 2 lindos meninos, um com 6 anos e o outro com 1 ano e 5 meses, graças a Deus com muita saúde.

Depois de tudo isso eu digo: Mamães tomem cuidado e fiquem atentas, gestação aqui no Brasil é algo sério pois não estamos totalmente seguras nas mãos dos médicos. Não que eles não queiram, porque o sistema os fez assim.

E nossa maior aliada é a informação e a solidariedade. 

Sozinhos não somos nada ... juntos somos irmãos em Cristo.

Fiquem com Deus e que Ele abençoe cada um de vocês."

Elaine Lobão
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